Durante anos, o discurso dominante foi simples — e confortável: “falta mão de obra no mercado”. A narrativa se espalhou, virou consenso e passou a justificar atrasos, baixa produtividade e decisões ruins de gestão.
Mas essa explicação não se sustenta quando olhamos os dados, o comportamento das empresas e a forma como talentos estão sendo formados (ou não).
A crise atual não é de gente. É de formação estruturada de talentos.
O erro central: confundir escassez com despreparo
Quando empresas dizem que não encontram profissionais, normalmente estão descrevendo outra coisa:
- Jovens sem base prática para assumir responsabilidades
- Falta de profissionais prontos no tempo desejado pela empresa
- Alta rotatividade nos primeiros meses
- Desalinhamento entre expectativa do gestor e maturidade real do contratado
Nada disso é escassez populacional.
É ausência de um sistema contínuo de formação.
O mercado terceirizou a formação — e agora cobra o preço
Historicamente, empresas formavam pessoas dentro de casa. O aprendizado era parte do processo produtivo.
Com o tempo, esse papel foi terceirizado:
- Para escolas, que focam teoria
- Para universidades, que respondem lentamente ao mercado
- Para o próprio profissional, que deveria “chegar pronto”
O resultado é previsível:
Um mercado exigente, impaciente e sem pipeline de talentos.
Quando ninguém assume a formação, todos reclamam da falta.
Estágio não é solução emergencial. É infraestrutura.
Empresas maduras entendem uma coisa básica:
talento não se compra pronto em escala.
Ele se constrói.
Programas de estágio bem estruturados não existem para “quebrar galho”, reduzir custo ou tapar buraco operacional.
Eles são:
- Instrumento de formação progressiva
- Mecanismo de redução de risco na contratação
- Base do pipeline futuro de profissionais qualificados
Quando o estágio é tratado como estratégia — e não como improviso — a crise de mão de obra diminui drasticamente.
O papel da gestão (que muitos evitam assumir)
Não há programa de formação que sobreviva a:
- Lideranças despreparadas para desenvolver pessoas
- Falta de critérios claros de evolução
- Ausência de acompanhamento e feedback
- Expectativas irreais sobre desempenho inicial
A crise de mão de obra também é uma crise de gestão.
E ela aparece primeiro nos jovens porque são eles que chegam sem histórico corporativo — expondo falhas que antes ficavam escondidas.
Formação de talentos é decisão estratégica, não discurso
Empresas que vencem esse cenário fazem escolhas claras:
- Investem cedo, não tarde
- Criam trilhas de aprendizado, não apostas individuais
- Tratam estágio como política estrutural, não ação isolada
Essas organizações não reclamam da falta de gente. Elas constroem gente.
Conclusão
A crise de mão de obra não será resolvida com mais vagas abertas, discursos motivacionais ou exigências irreais.
Ela só recua quando a empresa assume sua parte:
formar, acompanhar e desenvolver talentos de forma consistente.
É exatamente nesse ponto que a discussão deixa de ser sobre jovens — e passa a ser sobre maturidade organizacional.
Este artigo integra o pilar estratégico da Alpha Estágio sobre Formação de Talentos e se conecta a conteúdos sobre gestão de pessoas, programas de estágio e desenvolvimento profissional.



